Se eu contar ninguém vai acreditar!!!!!!!!

Hoje vou postar um texto muito interessnate que o Daniel me deu para ler e contar a última proeza da Dona Daniela:

Hoje ela resolveu engolir uma pilha de controle remoto, daquelas redondas do tamanho de uma moeda de 10 centavos! Sim, sim… Quase tive um troço quando vi que ela tinha engolido. Mas, tudo acabou bem… Nada que uma endoscopia com uma pinçada não resolvesse!!! Como o hospital demorou para marcar a endoscopia, a pilha vazou no estômago dela, e daqui a 10 dias ela fará um Raio X colorido para saber se a lezãozinha continua, porque o líquido da pilha age como soda cáustica… Então corroeu o estômago dela um pouquinho!!!!

Vamos ao texto. Ele é um pouquinho longo mas vale ler para refletir:

Mendicância chique
O pobre que imita o rico pode ser cômico ou trágico. O rico que imita o pobre é puro humor negro
Roberto Pompeu de Toledo para a Veja
Nada mais familiar aos brasileiros do que as esquinas cheias de gente pedindo esmola. Entre os pedintes há os que se apresentam em cadeiras de rodas ou muletas. Há os velhos, os barbudos, os bêbados e as mulheres com bebês no colo. Há as crianças, sobretudo, muitas crianças. De uns tempos para cá elas se especializaram em fazer malabarismo na frente dos carros. Algumas são realmente competentes na arte de manter no ar três, quatro ou cinco bolinhas. Demonstram que tiveram sagacidade e persistência para aprender, o que pode ser sinal de talento também para outras coisas na vida. Outras vão mal, constrangedoramente mal. Fazem papel de pequenos palhaços involuntários no show das esquinas. Todos têm em comum os andrajos com que se vestem e a fuligem da pobreza que lhes cola à pele, sinais do desvio social em que estão metidos.

Todos? Não. Há uma exceção: uma tribo de mendigos chiques que sazonalmente invade as ruas. Vestem roupa de butique. Não raro, terminado o expediente nas esquinas, dirigem-se ao carro que estacionaram nos arredores – carro bom, de modelo recente. O compromisso seguinte será uma compra no shopping center ou, se estiver na época, uma sessão da Fashion Week. A noite terá o restaurante da moda e a balada. São os novos alunos das faculdades. Nesta época, de divulgação dos resultados dos vestibulares, eles se postam nos cruzamentos, monitorados pelos “veteranos”, para pedir dinheiro. Não dizem que estão pedindo esmolas. Dizem que é para arrecadar fundos para a festa dos calouros, para a cervejada, algo nessa linha. O.k., assim é mais elegante para com a clientela, ainda que cruelmente deselegante com quem pede para comer mesmo.

Tanto melhor, dirão alguns, que o trote dos calouros se limite a pedir dinheiro. Há versões piores, que vão da violência física a situações de humilhação moral muito mais perversas do que esmolar. Quatro anos atrás, em São Paulo, um calouro de medicina morreu na piscina onde, sem saber nadar, fora forçado a mergulhar. Há algo de deprimente, no entanto, nessa gente bem-posta, bem-vestida e, em regra, claro, branca – a cor de pele da esmagadora maioria dos que entram nas faculdades – reunida nas esquinas para mendigar. Para começar, os calouros pecam contra os princípios da sadia concorrência. Drenam os trocados que, de outra forma, poderiam destinar-se ao andrajoso de pele escura da esquina seguinte. Mas esse é um aspecto secundário da questão. Importante é o significado que o exercício da mendicância chique assume no plano mais simbólico.

Outrora, uma das cenas favoritas, nos desenhos ou nas gravuras que exploravam a estética do grotesco, era o festim dos mendigos. Em torno de uma mesa farta, reuniam-se os maltrapilhos, os sujos, os desdentados. Considerava-se muito divertida a inversão dos papéis. Na mesa dos ricos, por vezes até provida de finas toalhas e cristais, os pobres se esbaldavam. No caso da mendicância dos calouros, observa-se a mesma inversão de papéis, mas em sentido contrário: são os ricos que imitam os pobres. É a velha história do príncipe e do mendigo, na faceta não do mendigo reinando no palácio, mas do príncipe esmolando pela rua.

Quando o pobre imita o rico, o resultado pode ser cômico ou trágico, dependendo do talento de quem imita e do espírito de quem observa. Quando o rico imita o pobre, o resultado é humor negro, o mais puro e desabrido humor negro, ainda mais no Brasil. A caricata versão do mendigo de camiseta de grife é o Brasil achincalhando a si mesmo. É a encenação, na avenida, para usar da linguagem carnavalesca, do enredo da imitação da miséria, campeão indiscutível, num país já suficientemente aquinhoado de miséria, no quesito escárnio. A figura do pedinte que acaba de ingressar no círculo do privilégio que é a universidade é um monumento ao contra-senso.

Ainda não chegamos, porém, ao pior efeito da mendicância chique. O pior, porque melancolicamente ilustrativo de uma sociedade fragmentada, é a inter-relação que se estabelece entre pedintes e doadores, esmoleiros e esmoleres. Há uma relação de cumplicidade. Com o mendigo de verdade, a reação é de medo, de asco ou, mesmo quando há simpatia, de distância e instintivo alerta. Os sentidos põem-se em guarda. Todo cuidado é pouco. Com o falso mendigo representado pelo calouro, relax, ele é um dos nossos. São os nossos meninos. As nossas meninas. Ah, essas nossas crianças e suas travessuras! Não são como aquelas outras, assustadores seres de um mundo que não conhecemos senão por raros vislumbres através da janela do automóvel. Pode-se até não dar esmola alguma, mas sai-se com a alma leve. Foi como encontrar um amigo, como rever-se na juventude. No caso do mendigo de verdade, pode-se até dar a esmola, mas a alma sai pesada de temores. O contraste entre as duas situações magnifica, nas esquinas, o sulco que, além de dividir no plano objetivo a sociedade brasileira, se prolonga insidiosamente para dentro de cada um de nós.

Fonte: Veja, 12 de fevereiro de 2003

Beijokas e até Darwin (Vai sair)…

4 responses to “Se eu contar ninguém vai acreditar!!!!!!!!

  1. Oi Lu!!
    Menina! que coincidência! Ainda agora estava comentando com minhas cunhadas sobre “pedintes” . Não suporto ver gente da igraja pedir no sinal em prol de um encontro de jovens ou de um encontro de casais com Cristo. Pessoas tão sadias, inteligentes, e ainda tomando o espaço de quem precisa de verdade!

    E a Daniela hem! que danadinha rs
    Pedro Henrique hoje comeu um pedaço grande de sabonete rs, é coisa de segundo!
    Esses meninos…

    Ah! o trabalho tá bem. Ainda não estou com as atribuições muito definidas, mas já estou aprendendo muita coisa.

    Bjss

  2. Amiga, depois leio o texto com mais calma. Mas, essa Dani é uma sapequinha mesmo. Além de comedora compulsiva de papel, agora resolveu degustar pilha? Esses filhos…Beijos!

  3. Juliana Parrini

    Lu…Nossa!!! Vc deve ter ficado desesperada!!!
    Ainda bem q a Dani tah melhor!!!
    Bjoookkkasss

  4. Juliana Parrini

    LU….
    Feliz dia do amigo!!!

    Bjuuusss

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