A lei do silêncio nas salas de aula…

7886301Sou professora há seis anos. Sempre gostei de lecionar (sou bióloga e leciono biologia e ciências) e adorava preparar as aulas,separar material, escolher artigos e filmes para serem trabalhados em sala. Nunca concordei com a teoria de que a “decoreba” formará os melhores cidadãos, e nunca desisti de alunos. Tenho paciência para explicar a matéria dez vezes se necessário (desde que o aluno que não compreendeu esteja prestando atenção na explicação) e de diferentes formas. Sempre fui mais que docente, fui amiga. Professor de biologia e ciências, geralmente é visto como um confessionário, assuntos relacionados à sexualidade dos adolescentes são discutidos em sala, assim como brigas com namorados, com a melhor amiga, desentendimentos com os pais… A lista é grande.
Adolescente é o ser mais carente que existe e, se tiver um oportunidade, colocará uma melancia no pescoço para chamar a atenção de um adulto.
Enquanto a forma de pedir atenção for a melancia na cabeça, não existe problema nenhum. O problema aparece quando o adolescente utiliza a agressividade para “aparecer”. É fato comprovado na prática da sala de aula: adolescentes com pais ausentes são, em geral, os mais problemáticos. Fazem tudo para que o professor pare a aula e lhe dedique cinco minutos de sermão, afinal de contas, está recebendo atenção. Porém, alguns profissionais completamente despreparados para lidar com esses alunos, simplesmente usam da agressão verbal para resolver os problemas.
Nunca coloquei aluno para fora da sala e nunca recorri à diretoria para resolver assuntos pertinentes à minha aula. Tudo que acontecia dentro da minha sala, era resolvido ali e na hora. E, acredito que por manter essa postura confiante, nunca tive grandes problemas.
Certa vez, estava falando sobre a composição química da célula para alunos de primeiro ano do ensino médio. Assunto complexo e que sempre é cobrado no vestibular. Preparei uma super aula, com cartazes que preparei na noite anterior (não tenho $$$ para fazer slides, então faço em cartolina, bem caprichado… os alunos adoram.) e um indíviduo estava com fones no ouvido e conversando com a turminha dele no fundo. Não que os outros estivessem ligando para ele, mesmo porque logo que entrei na sala pedi que guardassem todo o material e somente prestassem atenção. O “cara” perturbou tanto que os colegas pediram que ele se calasse. Isso e raro! Em outra ocasião, esta mesma turminha resolveu que não assistiria a aula e perturbaria até que eu desistisse de dar a aula. Determinei o assunto como encerrado e pedi que descrevessem tudo que eu havia explicado naquela única aula. Fiquei feliz que três alunos sabiam o assunto e ainda deram alguns detalhes do que foi explicado. Os outros, me dei o trabalho de descer até a secretaria e ligar para os pais, um a um. De doze pais que chamei, apenas quatro vieram conversar. Com esses alunos consegui muitos resultados positivos, porém, com os outros, sempre eram os mesmos problemas.
Agora pergunto: Por que?
Por que os pais não compareceram na escola?
Por que os pais não se importam mais se o filho reprova ou passa de série?
Por que os pais não olham o material escolar do filho?
Por que os pais se isentam da responsabilidade de EDUCAR?
Acredito que, no momento em que tivermos todas as respostas, resolveremos parte dos problemas que circundam as escolas brasileiras. E não me refiro somente às escola públicas. Nas escolas particulares os problemas são tão graves quanto em escolas públicas. Agressões físicas e verbais contra professores e alunos, depredação do patrimônio, furtos… E esta lista também é grande.
Levantei esta questão, porque a novela das 20h Caminho das Índias está abordando o tema “Violência nas escolas”, seguindo o personagem ZECA, adolescente rebelde, sem limites que agride física e verbalmente as pessoas (inclusive professores).
E, agora, nos, MÃES, temos que parar para pensar se nossas atitudes estão corretas. Temos que estar sempre ligadas em tudo que acontece ao redor dos nossos filhos, para que eles não se tornem adolescentes sem limites e, muito menos, adolescentes sem noção dos seus direitos frente aos inconseqüentes.

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