Olha a nostalgia…

Estamos entrando na época do natal e, como sempre, começa a me bater um sentimento de vazio, de perda… Não sei porque, mas sinto isso. É a época em que mais me sinto deprimida e frustrada.
Mas hoje teve um gostinho diferente. Abri a caixa de lembranças da Dani e achei um discurso que escrevi no primeiro natal da Dani. vou reescrevê-lo aqui, porque me fez chorar muito. Depois comento!

“BP3110072em, gostaria muito de compartilhar com vocês a minha alegria neste dia tão especial. espero que este não seja mais um discurso cansativo de natal. Na verdade é um desabafo.

Há pouco mais de um ano, conversando com minha mãe, levantamos a hipótese de que eu poderia estar grávida. Naquele dia tive sentimentos muito confusos e variados. tudo o que eu e o Dani tínhamos planejado tinha ido por água abaixo. Se eu passasse no mestrado não poderia cursar pois teria um bebê para cuidar. E a nossa idéia de se mudar e tentar ganhar a vida como biólogos em outro lugar… Tudo teria que mudar. Ah… e o escritório, como ficaria? Estava lindo e teria que virar quarto de bebê! Fiquei desesperada, chorei muito e quem me consolou foi um pessoa que eu ainda não conhecia: meu marido Daniel. Ele manteve uma calma absurda enquanto eu me desmanchava em lágrimas e me disse que a partir daquele momento seríamos três. No dia seguinte confirmei a vinda de um bebê, mas já não era só um bebê, era meu filho (ou filha) que estava a caminho. Aquele desespero passou subitamente e fui tomada por uma emoção indescritível : eu seria mãe. E um sentimento muito forte surgiu, um sentimento de proteção, de carinho que eu jamais havia experimentado ( e olha que sou a irmão mais coruja e protetora do mundo). Corri para o telefone porque tudo que eu mais queria era gritar aos quatro ventos que estava grávida. “Pai, você vai ser avô!” HAHAHA… ele ficou muito feliz, mas não escondeu a preocupação. Minha mãe desde o começo ficou muito feliz, e a alegria dela só aumentou quando soube que eu estava mesmo grávida. a Tia Ceres, como sempre atarefada, a princípio não entendeu quando eu disse que queria que ela viesse ver o sobrinho neto dela… um minuto depois ela ligou chorando e disse uma coisa que me marcou muito: “Que essa criança seja muito amada!” e respondi que já estava sendo, muito amada e queria. o rafael chorou quando informei que ele seria Dindo, e a Isa não reagiu diferente quando soube que seria Dinda! Quando fui dar a notícia para o Daniel, pulei no pescoço dele e ele disse de supetão “deu negativo!”, “não Dani, você vai ser papai!” Juro que nunca tinha visto ele falar tanto quanto naquele almoço… Em pouco tempo a PUC inteira sabia que ele seria papai. Foi um dia muito especial.

no natal passado eu ficava imaginando como seria o natal seguinte, afinal, aquele bebezinho teria 9 meses.
E, em uma linda manhã de março o meu bebezinho nasceu… Uma menininha que se chamaria Daniela, que além de ser o feminino do nome do pai, era sinônimo de força, coragem… E eu tinha acabado de ganhar e dar a todos vocês o melhor presente de natal que eu poderia dar e receber. Presente que dinheiro nenhum no mundo compraria! “Um monte de cabelo enrolado num cobertor!” É pai… um monte de cabelos mesmo! hoje, tenho certeza que escolhemos o nome certo para ela: Daniela é um bebê forte, alegre, corajoso… já passou por muitas coisas nestes nove meses. já caiu e levantou… Literalmente! Já mergulhou fundo… Literalmente! Ela conquistou a todos nós com seu olhar único… não vó Clélia, não é olhar do pai! Este olhar é só dela! Ela tem o sorriso banguela mais lindo do mundo, não é tio Ricardo! E é a Neguinha mas amada do Universo, não é Dindo! É a sua Peruca, não é papaizão! cada um tem um carinho especial por ela… E todos amamos essa jóia!

Esse está sendo um ano muito especial para mim…tenho certeza que será o primeiro de muitos que passaremos reunidos, todos ao redor, não da árvore de natal, mas da nossa princesinha!

E todo este rodeio foi por um único motivo: Agradecer… agradecer todo amor e carinho que vocês dão à Daniela, pois são estes sentimentos que fazem dela uma criança feliz! Agradecer a força que vocês nos deram em todos os momentos difíceis que passamos (e que foram muitos). Agradecer as corridas (quase diárias) da vovó Ceres; da vovó Clélia também (sempre que pode também corre com a gente para todo lugar); A sopinha, o carinho e a atenção da vovó Tere, que parece nunca querer que a Daniela vá embora. Ao Tio Ricardo pelo amor e pela paciência com o nenezão! A todos vocês, só tenho que agradecer! ah… e dizer que mesmo sendo muito estabanados, eu e o Dani fazemos o possível e o im[possível para garantir à Daniela uma vida maravilhosa… Afinal, não é qualquer pai que cuida de uma filha sozinho! E prometo, ela será uma pessoa muito feliz!

Um feliz natal a todos nós!!!!!”

 

Resolvi escrever aqui este discurso porque lembrei que, ao terminar de ler antes de iniciarmos a distribuição dos presentes, olhei ao redor. E hoje, lembrei da expressão de cada familiar presente. Eram tantas lágrimas de felicidade. E lembrei do abraço que ganhei do Daniel com a Daniela no colo, meus dois amores. Ele muito emocionado me disse “Obrigado!”, ainda não sei o porque do agradecimento, mas foi tão lindo. Todos acharam maravilhoso e partimos para a distribuição dos presentes!

E essa nostalgia ganhou uma dimensão maior por ter visto na novela uma cena que me deixou muito angustiada.

Foi quando a mãe da modelo que se acidentou pressentiu o acidente da filha.

Quando a Dani tinha 3 meses eu acordei uma noite com uma sensação de nó na garganta, uma sensação horrível. Pedi que o Daniel levantasse e fosse olha a Dani (fiquei com medo de ir olhar). Ele voltou e disse que estava tudo ótimo. Não dormi mais e passei a manhã daquele jeito. Antes de sair para o trabalho eu comentei com o Dani que ainda estava com aquela sensação. Ele sugeriu que eu ficasse em casa, mas achei que não era nada, e fui para a escola.

No intervalo fui lanchar, guardei meu material e sentei. Quando abri meu chocomilk (quando fez o ploc da tampinha) eu senti um calafrio que subiu dos pés até minha cabeça (senti minha bochecha arrepiar) e novamente o nó na garganta. Resolvi ligar para casa para saber se estava tudo bem (a Daniela ainda mamava no peito e chorava muito por não aceitar meu leite com o pai) e o Daniel atendeu gritando que ela tinha acabado de cair do colo dele.

Eu, até hoje me culpo. É mais uma culpa que acompanha a maternidade! se eu tivesse ouvido meu sexto sentido materno isso não teria acontecido, minha bebê não teria sofrido um traumatismo craniano, não teria passado quatro dia em uma UTI e meu marido não sofreria como sofre quando lembra dessa situação. E, para piorar minha sensação, meu sentimento de vazio hoje, ela está dormindo na casa da vó. Ai, como queria minha churubeba aqui comigo!!!

 

Enfim… a maternidade é cheia de culpas. Mas são essas culpas que nos fazem os seres mais fortes que existem, capazes de superar qualquer situação!

 

Beijokas

2 responses to “Olha a nostalgia…

  1. Minha linda, as lágrimas subiram aqui também.
    E não se preocupe, essa sensação – infelizmente – às vezes não tem como evitar..e se ela tivesse caído do seu colo, caso você estivesse ficado? Não sabemos como seria se mudássemos de atitude…e nem iremos saber, pq já passou. E graças a Deus, está tudo bem com sua princesa, que é mais do que perfeita, e alegra a qualquer um com seu olhar forte e determinado..
    A Marianinha já caiu dos braços de quase todo mundo aqui hehe…já escapuliu várias, e se machucou feio algumas vezes, e todos temos algum sentimeto de culpa…mas esse sentimento é apenas mais um passo em direção ao crescimento de cada um, e não pode ficar servindo só como fonte de tortura. Não, deve ser um aprendizado, nunca tortura! Todos estamos em constante formação, e acho que quando temos alguém tão próximo de Deus, tão anjo ainda perto da gente, é o momento em que mais crescemos. Vocês cresceram e se fortaleceram como família, como pais, como casal. Disso eu tenho certeza. Então, esse é o melhor fruto que essa queda pode dar a vocês.
    Um abração pra ti! E parabéns por ter escrito e agora dividido algo tão emocionante, pra quem queira ler.

  2. Claudia Costa

    Lindo, sensível e forte!!! um texto emocionante, digno de uma mãe, tenho certeza, muito dedicada! Voltarei aqui, tenha certeza. Beijos!

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