Minha filha sabe o que está “querendo”?

Duas escolas erradas, muitas porcarias no cardápio, muitos tênis de marca em pézinhos muito pequenos que nem sabiam o que calçavam, muitos brinquedos coloridos, barulhentos e vibrantes, muitas bonecas que só faltavam brincar sozinhas… Depois de muito estímulo ao consumo infantil, escolhemos uma escola para a Dani que condena o consumo excessivo para as crianças. Vamos começar pelo fato que minha filha passa mais tempo descalça do que de tênis na escola. E que ela passa o dia na terra, na areia, na grama e que pai nenhum em sã consciência colocaria na filha uma roupa de @k#su% reais para rolar no barro. A escola também desencoraja que a criança fique em frente a televisão por muito tempo. Vou confessar que a Dani passa o dia com a TV ligada nos DVDs que ela mais curte. Ela mal assiste, mas gosta de ouvir e repetir os diálogos. Não é bom, mas dos males é o menor.

Minha preocupação começa quando ela diz: “Eu quero assistir Discovery kids Brasil no 45.”. Me preocupo porque nos DVDs não vemos propagandas de brinquedos, roupas, no máximo a divulgação do próximo lançamento no cinema, e aí ela já grita: “Quero ir no cimema comer pipoca e assistir tal filme no shopping.”. Se fazemos esse programa ela já se realiza, não precisa de mais nada. Talvez uma visita à livraria para ficar lá folheando livrinhos (coisa que ela adora!). Mas ela não pede, não faz escândalo que quer algo ou que tem que comprar (baile ela dá quando passa pelos parques.). Ela nunca foi de exigir nada, sempre entendeu quando explicamos que é caro, ou que não vamos comprar porque não precisa daquilo.

O problema são as propagandas da TV! Essas me deixam sem ação. Ela vê aquelas bonecas que fazem de tudo, cocô, xixi, mamam, medem febre… “Mãe, eu quero uma dessa boneca.” e, eu lá da cozinha, sem nem saber do que se trata falo “pede pro Papai Noel, que no Natal ele trás.”, ou simplesmente ignoro, porque querer ela pode querer tudo! Mas e quando chegamos na loja de brinquedos e ela vê que a tal boneca nem é tudo aquilo que aparecia na propaganda… Lá vai a mãe explicar que na propaganda da TV eles fazem de conta que a boneca faz aquilo, de que a TV engana sim. Ela só tem 4 anos, não vai adiantar falar agora que a propaganda só quer impressioná-la para que ela queira a boneca e a mãe compre sobre pressão da filha. Onde fica o sentimento de frustração da minha filha quando se depara com o brinquedo falso, completamente diferente da TV. Outro exemplo que ela me mostrou esses dias. A propaganda de shampoo que ela ama, que afirma que não arde o olho e não dói para pentear. “Por que você dói meu cabelo e a mãe do menino na TV não dói o cabelo dele?”… Olha a saia justa! Haja jogo de cintura para explicar que na TV é faz de conta e blá, blá, blá… O “Faz de conta…” já entrou no vocabulário dela, graças à televisão! Porque na telinha é tudo faz de conta, nada é real… Pelo menos nada direcionado ao público infantil. São propagandas insinuativas. Lembro de uma de protetor solar que me deixava enojada. Um menino de uns 5 anos estava com a mãe passando protetor e passa uma menininha da mesma idade de biquini, toda “faceirinha”. Quando o garotinho termina de passar o protetor e vai na direção da menina, chega o “namorado” dela já protegido e fica ENCARANDO o outro menininho. ABSURDO! Estamos falando de crianças nas propagandas, não de adolescentes dando em cima das namoradas uns dos outros.

Vou ser sincera, às vezes tenho vontade de desligar a televisão para sempre e me alienar. Fazer minha família aproveitar esse tempo de outra forma. Mas precisamos dos meios de comunicação, não podemos nos ausentar do mundo, simplesmente. Vejo muitos prós e muitos contras na proibição da publicidade infantil, devemos orientar nossos filhos a serem formadores de opinião, a ter o devido discernimento do que é real e do que é fantasia. Mas fazer isso com crianças pequenas, altamente expostas a qualquer estímulo é muito complicado. Aqui em casa estamos evitando canal aberto e até mesmo a TV fechada (que mais faz propagandas enganosas). Acho que nesse momento, em que a Dani ainda não sabe separar o real do fantasioso, é a melhor opção! Enquanto isso assistimos 20 vezes o mesmo desenho no DVD.

E você? Qual a solução que encontrou, ou o que pensa a respeito da publicidade infantil? Como proteger nossos filhos desse vilão?

Convido Isabella Isolani e Marília para opinar a respeito. Vamos debater, conversar, trocar idéias sobre o assunto. Como resolver uma questão tão complexa que envolve nossos filhos?

No Blogs do Desabafo de Mãe, Ceila nos convida à essa reflexão e a outra ainda, quais são as responsabilidades dos pais diante do excesso de informação e da convergência das mídias? Vamos ser pais responsáveis e debater essa questão!

Imagem retirada de: http://diganaoaerotizacaoinfantil.files.wordpress.com/2008/06/childrentv_wide.jpg

Beijos

7 responses to “Minha filha sabe o que está “querendo”?

  1. Lu,

    Já comentei sobre isso no meu brogue
    http://mamaecintia.blogspot.com/2010/04/bakugan-quem.html

    Eu simplesmente NÃO tenho TV, só vê nos avós. Simples assim, não tem esquema – DVD e joguinhos tem limitação bem fixa, horário mesmo.

    A coisa mais simples que se apresentou foi idéia do próprio Gabriel.
    http://mamaecintia.blogspot.com/2010/03/das-perguntas-e-do-tempo.html

    Eu falo que ‘hoje’ não posso comprar, e ele pede sempre para comprar ‘amanhã’. Eu falo ‘filho, mas esse é muuuuuuito caro’, e ele sempre responde ‘mas eu já disse que a gente vai comprar amanhã’ (leia-se, um dia). Não sei exatamente como ou porque, mas simplesmente ele saber que compraríamos num longo futuro(se tívessemos a grana), já basta. Conjugando o verbo comprar.

  2. Lu, Eu também limito a Tv mas não proibo porque também nao concordo em aliená-los do mundo. Para que eles façam diferença precisarão entender este mundo e isso, só a vivência nos dá. Temo a superproteção tanto quanto temo a superexposição.
    Beijos,

  3. Pingback: Publicidade infantil: proibir ou não? |

  4. Lu, querida, delícia ler sua experiência com a Dani e adorei a sacada da filhota: “Por que você dói meu cabelo e a mãe do menino na TV não dói o cabelo dele?”… essa merece destaque pra maternidade. Quando li, falei: caracas!!! Eles realmente nos dão os sinais de que o exagero da publicidade é real, né…Eu adotei práticas parecidas com a sua, com exceção ainda da escola que continua no modelo mais comum para minha frustração, mas confesso a ti que o desafio tem sido enormeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee….o pior é lidar com aquilo que vem da escola: músicas extremamente distantes da infancia que ela aprende rapidinho, canta e grita pra me provocar e, se proibo, o interesse aumenta… dificil. Ou seja, a ausencia do Estado nos acumula ainda mais funções que se houvesse equilíbrio reduziria nossa carga diária de proteção, né. Obrigada querida por ter aceito o convite dessa conversa…em breve espero trazer seu texto lá na nossa roda, blz!
    inté!

    • Ceila, o meu problema maior, além do limite que tenho que impor, é a família. Eles não entendem que uma música não apropriada pode trazer consequências. Eu sou neurótica e exagerada. HAHAHA… Mas, sou mesmo! Já trabalhei com adolescentes que tinham como referência os funks pesados e ao mesmo tempo tinha alunos que curtiam MPB. Amava conversar com os “caretas”, eles tinham conteúdo. Como isso ficava claro para mim, a diferença. Alunos que se importavam com o carro e o som do carro do pai, mas não sabiam as organelas celulares, e alunos que conversavam sobre a programação cultural do fim de semana. Acredito que mostrando para nossos filhos que nem tudo que TODO MUNDO vê é bom, é real, é útil, tem conteúdo, já estamos fazendo nossa diferença. Proibir não adianta mesmo, desperta a curiosidade. Mas controlar, abordar com questionamentos e mostrar outros pontos de vista. Acho que o segredo é fazer com que nossos filhos sejam questionadores, e que não aceitem qualquer coisa…
      Beijos e obrigada pelo convite!!!!!!! Adorei!

  5. Oi Lu, só vi seu feedback agora e tenho pensado muito nessa questão da família para ajudar nós a proteger a infância. Acho que é um caminho muito longo, mas o fato de ter eu, vc, as mães da lista pensando junto já é uma vitória pra lá de compensadora. Juntas vamos conseguir achar o caminho mesmo que de forma individual. Eu tenho pensado muito o quanto ter escolas diferentes é importante pra gente juntar quem é chato, neurotico e exagerado como a gente e se sentir pertencente ao mundo…kkkkkkkkkkk…bjkas e obrigada!
    post saindo: http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/2010/06/da-pra-ter-lucro-tambem-para-as.html

  6. Pingback: Dupla Jornada

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