Category Archives: Responsabiilidade

Minhas filhas, minhas guerreiras, minhas vidas!

Nada como um dia depois do outro… E a cada dia tenho percebido o quanto é difícil viver! Ter filho é maravilhoso e tenho tido certeza que é o que fortalece uma pessoa.  Podemos perder tudo, mas os filhos ficarão, sempre…

Mas tem sido difícil acordar todos os dias e deixar o que aconteceu de lado, olhar nos olhinhos de jabuticaba da Dani, ouvir um ” Mãe, você já acordou?” e sorrir, feliz porque ela está do meu lado, coçando o bico e pegando  no meu rosto com um carinho puro e sincero… Ela tem 4 anos, e NUNCA me deixa na mão! É profissional em fazer a mãe feliz! Sempre tem um sorriso amigo e acolhedor e um comentário engraçado pra fazer… Nem que seja só um segredo pra Alice, que vem acommpanhado de um ” Não falei com você mãe! Falei com a Alice!”. A Alice tem sido uma companheira e tanto para a Dani! É o que a acolhe quando ela cai e vem chorando ” Alice, eu feizi dodói!”  ou então ” Alice, a mamãe brigou comigo!”… E, para quem não sabe, Alice é a irmãzinha que tem apenas 31 semanas de vida intra uterina!

Mas é assim… Alice já é forte. Depois de uma ameaça de cesárea caso não virasse, deu seu jeitinho e virou! Está cefálica! Estamos em posição para um parto natural! É triste que ela tenha feito todo esse serviço sozinha, porque a mãe definitivamente a abandonou nestas últimas semanas! Mas é minha pequena guerreira! Está enfrentando junto da mãe coisas que nem nós, adultos conseguimos lidar!

Mas é como tenho ouvido muito: O que não mata, fortalece! E sei que meu melhor amigo agora é o tempo! Ele está do meu lado e ele vai ajudar a fechar essa ferida…

Ai

Rubi

Composição: Tata Fernandes / Kléber Albuquerque

Deu meu coração de ficar dolorido
Arrasado num profundo pranto
Deu meu coração de falar esperanto
Na esperança de se compreendido

Deu meu coração equivocado
Deu de desbotar o colorido
Deu de sentir-se apagado
Desiluminado
Desacontecido

Deu meu coração de ficar abatido
De bater sem sentido
Meu coração surrado
Deu de arrancar o curativo
Deu de cutucar o machucado

Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
De um coração trespassado

“Eu te amo – disse.
E o mundo despencou-lhe nas costas. Não havia de sofrer tanto.
O mundo pesa sobre o amor. Leveza dá pena no espaço.
E se teu amor por mais pedra não voar: liberta tuas costas do peso que não carregas.
E se teu amor por mais pena não mergulhar: vai te banhar e olha-te no olhar que não te cega.
Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas: degela-o e deixa-o beber os deltas.”

Deu meu coração de ficar abatido
De bater sem sentido
Meu coração surrado
Deu de arrancar o curativo
Deu de cutucar o machucado

Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
No coração trespassado
Ai
Ai ai
Ai

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Minha filha sabe o que está “querendo”?

Duas escolas erradas, muitas porcarias no cardápio, muitos tênis de marca em pézinhos muito pequenos que nem sabiam o que calçavam, muitos brinquedos coloridos, barulhentos e vibrantes, muitas bonecas que só faltavam brincar sozinhas… Depois de muito estímulo ao consumo infantil, escolhemos uma escola para a Dani que condena o consumo excessivo para as crianças. Vamos começar pelo fato que minha filha passa mais tempo descalça do que de tênis na escola. E que ela passa o dia na terra, na areia, na grama e que pai nenhum em sã consciência colocaria na filha uma roupa de @k#su% reais para rolar no barro. A escola também desencoraja que a criança fique em frente a televisão por muito tempo. Vou confessar que a Dani passa o dia com a TV ligada nos DVDs que ela mais curte. Ela mal assiste, mas gosta de ouvir e repetir os diálogos. Não é bom, mas dos males é o menor.

Minha preocupação começa quando ela diz: “Eu quero assistir Discovery kids Brasil no 45.”. Me preocupo porque nos DVDs não vemos propagandas de brinquedos, roupas, no máximo a divulgação do próximo lançamento no cinema, e aí ela já grita: “Quero ir no cimema comer pipoca e assistir tal filme no shopping.”. Se fazemos esse programa ela já se realiza, não precisa de mais nada. Talvez uma visita à livraria para ficar lá folheando livrinhos (coisa que ela adora!). Mas ela não pede, não faz escândalo que quer algo ou que tem que comprar (baile ela dá quando passa pelos parques.). Ela nunca foi de exigir nada, sempre entendeu quando explicamos que é caro, ou que não vamos comprar porque não precisa daquilo.

O problema são as propagandas da TV! Essas me deixam sem ação. Ela vê aquelas bonecas que fazem de tudo, cocô, xixi, mamam, medem febre… “Mãe, eu quero uma dessa boneca.” e, eu lá da cozinha, sem nem saber do que se trata falo “pede pro Papai Noel, que no Natal ele trás.”, ou simplesmente ignoro, porque querer ela pode querer tudo! Mas e quando chegamos na loja de brinquedos e ela vê que a tal boneca nem é tudo aquilo que aparecia na propaganda… Lá vai a mãe explicar que na propaganda da TV eles fazem de conta que a boneca faz aquilo, de que a TV engana sim. Ela só tem 4 anos, não vai adiantar falar agora que a propaganda só quer impressioná-la para que ela queira a boneca e a mãe compre sobre pressão da filha. Onde fica o sentimento de frustração da minha filha quando se depara com o brinquedo falso, completamente diferente da TV. Outro exemplo que ela me mostrou esses dias. A propaganda de shampoo que ela ama, que afirma que não arde o olho e não dói para pentear. “Por que você dói meu cabelo e a mãe do menino na TV não dói o cabelo dele?”… Olha a saia justa! Haja jogo de cintura para explicar que na TV é faz de conta e blá, blá, blá… O “Faz de conta…” já entrou no vocabulário dela, graças à televisão! Porque na telinha é tudo faz de conta, nada é real… Pelo menos nada direcionado ao público infantil. São propagandas insinuativas. Lembro de uma de protetor solar que me deixava enojada. Um menino de uns 5 anos estava com a mãe passando protetor e passa uma menininha da mesma idade de biquini, toda “faceirinha”. Quando o garotinho termina de passar o protetor e vai na direção da menina, chega o “namorado” dela já protegido e fica ENCARANDO o outro menininho. ABSURDO! Estamos falando de crianças nas propagandas, não de adolescentes dando em cima das namoradas uns dos outros.

Vou ser sincera, às vezes tenho vontade de desligar a televisão para sempre e me alienar. Fazer minha família aproveitar esse tempo de outra forma. Mas precisamos dos meios de comunicação, não podemos nos ausentar do mundo, simplesmente. Vejo muitos prós e muitos contras na proibição da publicidade infantil, devemos orientar nossos filhos a serem formadores de opinião, a ter o devido discernimento do que é real e do que é fantasia. Mas fazer isso com crianças pequenas, altamente expostas a qualquer estímulo é muito complicado. Aqui em casa estamos evitando canal aberto e até mesmo a TV fechada (que mais faz propagandas enganosas). Acho que nesse momento, em que a Dani ainda não sabe separar o real do fantasioso, é a melhor opção! Enquanto isso assistimos 20 vezes o mesmo desenho no DVD.

E você? Qual a solução que encontrou, ou o que pensa a respeito da publicidade infantil? Como proteger nossos filhos desse vilão?

Convido Isabella Isolani e Marília para opinar a respeito. Vamos debater, conversar, trocar idéias sobre o assunto. Como resolver uma questão tão complexa que envolve nossos filhos?

No Blogs do Desabafo de Mãe, Ceila nos convida à essa reflexão e a outra ainda, quais são as responsabilidades dos pais diante do excesso de informação e da convergência das mídias? Vamos ser pais responsáveis e debater essa questão!

Imagem retirada de: http://diganaoaerotizacaoinfantil.files.wordpress.com/2008/06/childrentv_wide.jpg

Beijos

E os pré-conceitos…

Colo é mimo…

Cama compartilhada é mau costume…

Não bater deixa sem vergonha…

Amamentar em livre demanda é isso…

Carregar no sling é aquilo…

Parto natural é coisa de vaca…

Não sei se estou ficando maluca, mas para mim tudo isso é NATURAL! Porque antes de sermos Humanos dotados de inteligência, somos mamíferos, animais dotados de instintos. Meu instinto me diz que, a melhor coisa para a Dani é dormir juntinho com a mamãe e o papai quando ela quer. E, como é a natureza, sei que alguma coisa ruim aconteceu com a Dani pela forma como ela age a noite. Se ela vem pra cama e fica dengosa, ela está sentindo alguma coisa além do normal. Se está tudo bem, ela dorme a noite toda na caminha dela. Sair da rotina faz com que ela queira dividir a cama. Ela tem 4 aninhos e ainda precisa da mãe a noite. E eu atendo, sempre (lógico que às vezes perco a paciência, porque ela desperta e não quer mais dormir) porque acredito que acolhendo no momento certo, ela será um adulto seguro. Não negar carinho é meu princípio. Dou colo e chamego sempre que ela precisa e pede pela mesma razão, para que ela seja independente e segura.

E penso assim por me parecer lógico: A criança espera proteção, cuidado e carinho dos genitores, das pessoas que devem cuidar, acalentar, amar. Não consigo imaginar que um pai ou uma mãe negue colo, cama compartilhada, peito, cheiro, carinho por acreditar que  a técnica do Fulano diz que tem que deixar chorar, Ciclano diz que amamentar em livre demanda deixa mal acostumado, que dar colo deixa atrasado e outras besteiras! Amos, carinho, segurança e aconchego não deixa ninguém mal acostumado. Deixa seguro, feliz… Qualquer criança que receba tudo isso terá estrutura psicológica para lidar com qualquer questão da vida adulta, além de perpetuar o amor e o respeito pelo sentimento e tempo dos outros. Afinal, ser mãe e ser pai é saber respeitar o tempo dos filhos, é saber que nenhuma criança é igual e evitar aos máximo comparações… Mas esse assunto fica para o próximo post!

Beijos

Imagens: Daniela slingando com a mamãe (By Isabella Isolani)

Imagens: Daniela ganhando colinho da Dinda (By Daniel Isolani)

Educação ecologicamente correta…

Há alguns dias respondi a uma entrevista linkada AQUI sobre criar os filhos de forma ecologicamente correta. Não sei quando vou me acostumar, mas acho algumas reportagens  tão vazias. Sinto falta de mais informação e argumentos.

Escrevi sobre a opção que fizemos de usar fraldas de pano com a Alice e a forma que estamos nos organizando para que dê certo. Vamos usar a água do banho dela para deixar de molho com vinagre e precisaremos de apenas uma lavagem rápida na máquina para concluir a higienização das fraldas. Além disso, usaremos sabão de côco, que é muito menos impactante do que os sabões convencionais. Acredito que estaremos fazendo nossa parte e ainda ensinando nossas filhas que fralda de pano não é nenhum bicho de sete cabeças. Outra atitude que empregamos e dá muito certo aqui em casa é o uso de sacolas de pano. Cheguei em um limite de jogar duas sacolas cheias de sacolinhas de mercado no lixo por não ter mais onde guardá-las! Se você vai na farmácia e compra uma cartelinha de remédio, de brinde vem uma sacola onde cabem 100 cartelinhas! É muito melhor pegar diretamente da mão do vendedor e colocar na bolsa do que usar mais uma sacola. Só não levo minhas sacolas de pano ao mercado (tenho sempre uma na bolsa) quando minhas sacolinhas para lixo estão acabando. O mercado onde fazemos nossas compras dá desconto para quem utiliza sacolas retornáveis e suas sacolinhas plásticas são do tipo oxibiodegradáveis, que ainda não são as soluções ideais, mas dos males é o menor!

Há três meses decidimos que eu ficaria trabalhando em casa, para poder dar mais atenção à Dani e me preparar para o parto da Alice. Desde então, temos cuidado para que nossa alimentação seja a mais saudável e completa possível. Não compramos mais iogurte, faço litros de iogurte em casa e bato com frutas, comemos com cereais, grãos e açúcar mascavo orgânico. Evitamos de jogar duas bandejinhas de iogurte no lixo toda semana. Temos feito muito suco de laranja natural, com maracujá  (para variar o gosto), fazemos chá com casca de maçã, torradas com pães velhos… Tudo pode ser aproveitado e existem estratégias para reduzir o consumo, basta um pouco de boa vontade e dedicação. Acredito que, tendo optado por cuidar das crianças em casa e ser mãe em tempo integral, posso gastar 5 minutinhos colocando fraldas para lavar, ou 15 minutinhos fazendo iogurte, ou mais 15 batendo um bolo…

Educar um filho com consciência (ecológica, moral, respeito…) não é tão difícil como as pessoas pensam, é só partir da premissa que criança aprende vendo! E se nos propusermos a fazer as coisas certas, com fundamento e paciência para explicar o porquê, eles aprenderão e disseminarão os valores aprendidos em casa. Acredito que esse seja o segredo!

Beijokas

Imagem retirada do blog http://paoeecologia.wordpress.com/2009/11/27/sustentabilidade/

Pelo direito de parir e pela obrigação de se informar…

Hoje completo 20 semanas de gestação, meio caminho percorrido. A pior fase já passou… Ou não! Por que?

Porque estou no Brasil, país onde 70% dos nascimentos são cesáreos. Bem, a pior fase ainda está por vir. Troquei de obstetra e vou buscar outro por desencargo de consciência, na verdade para garantir meu VBAC (vaginal birth after cesarian). Quem ainda está no início da gestação não imagina que a partir do positivo em mãos, deve começar a preparação. E não!!!! Não estou me referindo ao enxoval, estou me referindo ao parto em si. Na minha primeira gestação, eu fazia parte do grupo que acreditava que bebê nenhum podia nascer sem enxoval (jogo de mamadeiras – HAHAHAHA). Como se o protetor de berço fosse desencadear um trabalho de parto.

Acredito, hoje (que fique bem claro), que a natureza nos deu 40 semanas de gestação para nos prepararmos para um TRABALHO de parto. Afinal, é trabalho porque não é simples. E uma das primeiras providências deve ser a busca por um obstetra que preencha todos os desejos da gestante. Se chegar na primeira consulta e ele disser “Acho que você é muito pequena para um parto vaginal.” ou então “Só espero no máximo até 40 semanas, depois encaminho para cesárea.” CORRA! Pode ter certeza que seu rebento agradecerá. Porque antes do trabalho de parto ser um sofrimento, ele é uma ritual de passagem necessário para o bebê e para a mãe. Na minha cesárea tive um tipo de “síndrome do membro fantasma” relativamente comum em mães que tiveram cesárea antes de entrar em TP. Eu sentia os movimentos do bebê em minha barriga, sendo que meu bebê já estava fora dela há mais de seis meses. E isso é triste, vocês não imaginam o quanto. Fora as complicações que já relatei AQUI.

Hoje, uma gestante tem que brigar para poder parir o filho, isso faz com que nosso país se torne mais subdesenvolvido do que qualquer país com um PIB menor que o nosso. Porque as evidências científicas estão aí para quem quiser confirmar, basta se interessar e buscar as informações corretas. E não espere que seu obstetra as dê, ele não vai fazer isso. Isso seria enterrar qualquer possibilidade de poder enrolar a gestante com desculpas tipo “Corre pra cesárea porque já está há mais de 1h30min  em TP e não dilatou.” HAHAHA… Não é exagero meu, algumas celebridades caíram neste conto!

a mensagem que quero deixar neste post é… Não deixe que decidam por você. A gestante é você e seu parto não depende da cor do quarto, da quantidade de brinquedos ou de roupinhas para sair que seu filho terá. O seu parto depende de você e do seu bebê, por isso uma sintonia entre os dois é tão importante. Converse muito com seu bebê, ele sente a sua energia e isso faz bem aos dois. Não deixe que um “Deus de Jaleco” assuma um trabalho que é seu, o TP. Não deixe que esse “Deus de Jaleco” diminua você enquanto mulher dizendo que seu corpo não funciona e que você não será capaz de parir. Não deixe que você seja apenas um joguete dessa sociedade que acredita que a tecnologia está aí para nos servir, e fazer de seu filho um mero marionete dessa tecnologia. Pode ter certeza que se alguma eventualidade acontecer durante sua cesárea, seu médico que sempre disse que era seguro e tal, irá se isentar de qualquer responsabilidade. E o pior, irá lhe tentar convencer você que poderia ter sido pior “Já pensou se fosse parto normal?”.

MULHERES UNIDAS PELO DIREITO DE PARIR!

Beijokas

Publicidade infantil, proibir ou não? (Parte III-final)

O que podemos concluir de tudo isso?
Consumir menos e com mais qualidade é ecológico.
A infância é uma responsabilidade global: família, sociedade e Estado.
E o que perdemos se proibirmos a propaganda infantil?
O que perdemos com a proibição da propaganda de cigarros? NADA! Só ganhamos. Era um absurdo aquele monte de propagandas com associação de cigarro à esportes. Cigarro e vida saudável, definitivamente uma grande MENTIRA.
O que vamos perder com a proibição de propagandas de bebidas alcoólicas? Nada.
Neste mesmo caminho vai a publicidade infantil?
A propaganda existe porque há consumismo e o consumismo é alimentado pela propaganda, logo temos uma bola de neve. Se o consumismo de adultos merece toda a atenção – afinal se continuarmos produzindo o lixo que produzimos hoje na mesma proporção por mais alguns anos já sabemos onde (não) chegaremos – o consumismo na infância é uma preocupação ainda maior e merece ainda mais atenção.
A questão não é proibir, mas proteger a infância. Criança vive nesse mundo e precisa conhecer a realidade, mas existem várias outras formas mais saudáveis e nutridoras pra que a criança vá chegando. Até os sete anos ela é muito imatura. Ela precisa ser protegida pra que, quando chegar a hora de encarar a realidade e o mundo, ela esteja segura e fortalecida. Crianças que não crescem moldadas, que são educadas com mais criatividade e liberdade, quando adultas tomarão decisões por conta própria com muito mais sabedoria e segurança do que aquelas que cresceram expostas a uma realidade doutrinadora e limitadora.
Precisamos criar humanos capazes de encontrar a felicidade dentro deles, e pra isso precisamos nutrí-los de afeto e atenção. Precisamos criar humanos que não apenas respeitem e preservem, mas que venerem a terra e os alimentos. precisamos criar humanos empáticos. Se conseguirmos fazer uma mudança dentro de nossa casa, ela vai pro mundo. Assim nossos filhos, os adultos do futuro, serão capazes de nutrir seus filhos de afeto e não de presentes.
Nosso papel fundamental e urgente é evitar que nossas crianças cresçam consumistas, manipuláveis e desvinculadas da realidade, em favor desse sistema capitalista do consumo exagerado e desnecessário imposto e empurrado goela abaixo diariamente! Precisamos fazê-los refletir junto, precisamos disso? Por que estamos comprando isso? Não há melhor maneira de educar crianças (e adultos!) do que através do questionamento! Ainda mais se queremos educar seres proativos, pensantes e questionadores (e não “foma-atados”), ao invés de uma massa de futuros adultos passivos e receptivos de todo e qualquer lixo jogado na sociedade através das propagandas. E isso vale para tudo: de propaganda política às discussões que temos em nossos círculos sociais.
Temos que criar seres que não fiquem sentados, aceitando passivamente um sistema em que damos nosso sangue para sustentá-lo, trabalhando horas para receber os recursos necessários para consumir o que quer que querem que compremos, inclusive o que não precisamos! Como será o futuro com um planeta lotado de lixo? Nosso consumo compromete diretamente a natureza pois a fabricação do que consumimos a polui e degrada.
Além de tudo que se aplica à publicidade e ao consumismo adulto, a propaganda voltada pra criança é covarde, é uma falta de compromisso com o futuro, com o coletivo, com a humanidade e com o planeta. Pais, sociedade e Estado precisam assumir sua responsabilidade diante da infância e do futuro do planeta.
Existe um Manifesto circulando pela internet e num de seus trechos ele menciona: “A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce. Acreditamos que o fim da publicidade dirigida ao público infantil será um marco importante na história de um país que quer honrar suas crianças.”
E você, o que pensa de tudo isso?
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Texto escrito a 16 mãos por: Ceila Santos, Maria Rê Carriero, Renata Gonçalves, Renata Matteoni, Rita de Cássia Couto, Silvia Schiros e Taís Vinha.

Publicidade Infantil:proibir ou não (parte II)

O risco da proibição e a capacidade da sociedade de se tornar imune

Considerando todo o prejuízo que a publicidade voltada para crianças acarreta e que a criança não tem condições para discernir e decidir sobre seu próprio consumo, propaganda direta, pra crianças, de todo e qualquer produto, não deveria ser proibida e ponto?

Quanto as regras nos prejudicam e quanto nos beneficiam? Quando proibimos, colocamos um controle que pode reverter em cegueira. E por isso é preciso ter muito cuidado.

Nos Estados Unidos, onde o capitalismo já ultrapassou todos os limites de respeito ao individuo, há publicidade de doenças, laboratórios farmacêuticos, hospitais; de advogados incentivando o cidadão a processar sua mãe, seu pai, seu médico, sua escola, seu vizinho. A publicidade do consumo de serviços e de tudo e qualquer coisa é fortíssima e já fez uma “lavagem cerebral” na massa. Lá, apesar de a publicidade infantil ser melhor regulamentada (não é comum ver comerciais durante a apresentação de programas infantis, por exemplo), se levamos uma criança ao cinema encontraremos propagandas embutidas em filmes e animações. É comum ver produtos e marcas em todos os filmes, para adultos e crianças – às vezes são flashes, muito rápidos, que só observamos se estivermos prestando atenção, mas que nosso inconsciente capta. A propaganda, portanto, sempre encontra um meio de atingir seu alvo: nós e nossos filhos. Com regulamentação ou sem.

Sabe-se também que a exposição compulsiva pode treinar nossos olhos a filtrar as mensagens publicitárias, ou seja, o próprio organismo da “sociedade” trata de criar suas próprias defesas. Como cresceram super expostos, os jovens de hoje aprenderam a ler nas sublinhas das mensagens publicitárias, o que de certa forma os protege. A criança que não cresce exposta à propaganda, por sua vez, não adquire esse tipo de “imunidade”, portanto poderá ter outros desafios a enfrentar quando tiver que encarar o mundo como ele é.

Outras possibilidades além da proibição

Há outras formas de proteger as crianças além da proibição da publicidade infantil pura e simples ou mesmo sua regulamentação por lei: ação por parte dos cidadãos, exigindo e fazendo valer os direitos da criança, para os quais existe lei: o Estatuto da Criança e do Adolescente; auto-regulamentação da publicidade infantil pelo CONAR, busca pelo avanço da publicidade e da forma de se fazer negócios, com mais responsabilidade social e ambiental. Somos, portanto, responsáveis pela evolução que almejamos.

A responsabilidade dos pais

Assumir nosso papel integralmente exige muito de nós: reclamar, gritar e recorrer aos órgãos responsáveis sempre, ainda que enfrentemos dificuldades, buriocracia e corrupção.

As propagandas podem induzir a criança e isso ocorre na maioria das vezes. Mas por outro lado, as atitudes dos pais têm um peso ainda maior. Nós somos o exemplo! Se os pais são consumistas, os filhos também serão! Os publicitários estão no papel deles, e os pais? Qual o papel dos pais? Até que ponto nosso hábito de consumo, mesmo que comedido, influencia nossos filhos?

Como podemos tornar o consumo comedido um exemplo claro para eles já que o consumo é algo inevitável e até necessário? Além da verdade em nossa conduta, muita conversa. E, enquanto eles ainda não entendem tão bem quanto a gente gostaria, evitar levar junto na hora de fazer compras pode ser uma saída. Não é nada fácil educar os filhos para o consumo consciente no mundo de hoje, até porque, na grande maioria das vezes, isso exige que reeduquemos a nós mesmos.

É na escola onde também as crianças podem estar recebendo a maior carga de publicidade. Através dos amiguinhos que aparecem cheios de aparatos tecnológicos e os mais novos lançamentos da Disney e afins comprados pelos seus pais enlouquecidos. Não podemos deixar de considerar um desserviço à educação que os pais mandem brinquedos tão acintosos num ambiente comunitário e pior, educacional. As crianças realmente valorizam esses brinquedos ou eles apenas representam sinais de status? E quem realmente valoriza isso: as crianças ou os próprios pais? Esse tipo de coisa precisa ser controlada pela escola. O papel da escola é socializar, desestimular o consumismo e estimular o companheirismo, o senso de comunidade. A escola não deveria ter medo de exercer o seu papel e impor regras, o que ocorre porque muitas vezes ao agir dessa forma a escola desagrada justamente quem a financia: os pais. E diante disso o papel dos pais que tem um mínimo de consciência e espiríto questionador é exigir que as escolas ajam como educadores, numa parceria conosco na tarefa de educar de verdade.

Acreditamos que, qualquer que seja a escolha da família – assistir ou não TV – é nos elementos e vivências que a rotina nos fornece que aencontramos as melhores oportunidades de educar – através do exemplo e da conscientização. Quando nossos filhos assistem TV, temos que ficar com o controle remoto na mão o tempo todo para controlar o que eles assistem? É claro que precisamos assistir pra saber do que se trata, mas a partir de uma certa idade precisamos também procurar construir uma relação de confiança com as crianças. Definir regras com clareza em relação aos programas que eles podem e o que não podem assistir, e confiar que eles obedecerão. Se desobedecerem, devem arcar com as consequências, como ficar sem ver TV por um tempo.

(continua na próxima semana)

Retirado do Blog O Futuro do Presente, neste LINK.